Jesus, o nosso exemplo de humildade!



Filipenses 2.5-11

5 Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
6 pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus;
7 antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana,
8 a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.


5 Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,

O apóstolo Paulo escreveu aos filipenses para que esses tivessem o mesmo sentimento/motivação/mente que houve em Cristo Jesus para quando este realizou os atos relativos à salvação. Ou seja, definitivamente Jesus é o modelo de humildade e auto esvaziamento que deveremos seguir. Obviamente, nós não conseguiremos imitá-lo em seus atos redentivos, pois estes só a ele pertencem. Mas podemos imitá-lo em suas motivações.

6 pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus (Almeida Revista e Atualizada);
6 que, embora sendo Deus[8], não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se (Nova Versão Internacional);

Subsistindo = existindo em uma forma igual a Deus = termo grego “morphe” = “se refere àquilo que é anterior, essencial e permanente na natureza de uma coisa ou pessoa” (Hendriksen).

“não julgou como usurpação o ser igual a Deus” = em muitas ocasiões, ele manifestou sua condição divina = João 10.30; 14.9; 17.5.

Essa frase também recebe a seguinte tradução = “não considerou sua existência numa-forma-igual-a-Deus como algo a que deveria se apegar (Hendriksen – parecida com a NVI)”

Ou seja, creio que podemos interpretar no sentido de que Jesus afirmou sua divindade, não verificando que isso seria um ato de usurpação, mas que ele não se apegou à sua condição divina – ou seja, por isso encarnou-se.

7 antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana,
Antes “a si mesmo se esvaziou”. Se esvaziou do que? Se esvaziou da sua existência-numa-forma-de-igualdade-a-Deus” (Hendriksen), mas nunca deixou de ter a sua natureza divina.

Segundo Herdriksen, Cristo renunciou:

1)   Sua relação favorável à lei divina: se tornou pecado por nós, carregando nossa culpa; 

2)    Suas riquezas: se fez pobre por amor a nós (2 Co 8.9). Ele sempre estava pedindo algo emprestado. Um lugar para nascer, um lugar para pernoitar, um barco para pregar, um animal para montar, uma sala para cear, um túmulo para ser sepultado.

3)    Sua glória celestial (Jo 17.5); 

4)    O livre exercício de sua autoridade: “aprendeu a obediência por meio daquilo que sofreu (Hb 5.8)

Mas em tudo isso, continuou em sua natureza divina. Ele continuou onipresente? Onisciente? Ele precisou aprender a andar, falar, caminhar? Ele tinha conhecimento de todas as coisas no mesmo sentido de que o Pai? Há muitas discussões acerca desses questionamentos, um grande mistério.

“Assumindo a forma de servo” = ele veio realmente para ser o servo de todos (Lc 22.27), determinou, após lavar os pés dos discípulos que estes deveriam lavar os pés uns dos outros (Jo 13.12-15), conforme morreu por todos na cruz, seu maior dom à humanidade. De qualquer modo, entendemos que ele assume a forma de servo sem em nenhum momento deixar a sua divindade.

Tornando-se em semelhança dos homens: ele assumiu para si a natureza humana, entretanto com duas diferenças: desde a sua concepção a sua natureza divina e humana estavam unidas (porém, não misturadas), e mesmo possuindo um corpo com a natureza humana como a nossa (debaixo da queda, ou seja, com os resultados do pecado humano, porquanto sujeita à morte), essa carne não era inerentemente pecaminosa como a nossa, ou seja, ele não teve pecado algum (Hebreus 4.15).

Há quem sustente que, como Jesus é mencionado como sendo o segundo Adão, ele assumiu uma natureza humana igual ao do primeiro Adão, ou seja, antes da Queda, daí sua natureza humana não ser pecaminosa como a nossa, embora ele seja humano como nós, porém, sem as manchas da queda. Os que isso afirma, não entendem que Adão fora criado com uma natureza humana imortal.

Jesus terá agora uma natureza humana para toda a eternidade.

“e reconhecido em figura humana/na forma de um ser humano”: a ideia é a de que todos viram ele como um ser humano mesmo: foi bebê, cresceu, teve irmãos e irmãs, profissão, teve momentos de tristeza e mesmo de ira, chorou, foi em festas, etc.  

8 a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.

Jesus se humilhou, muito antes de ser humilhado por qualquer outra pessoa. Foi um ato voluntário de se fazer inferior aos demais. Ele também se fez obediente em todos os momentos, em relação ao Pai, e isso até à morte, e não a uma morte qualquer, mas morte de cruz.

Em Roma, a morte de cruz não poderia ser aplicada a um cidadão romano. Era considerada ultrajante. Paulo, por exemplo, não poderia ser executado dessa forma. Também era considerada uma morte maldita, pois “maldito todo aquele que for pendurado no madeiro” (Dt 21.23), e Cristo se fez maldição por nós (Gl 3.13).

“Assim, enquanto estava pendente na cruz, embaixo Satanás e suas hostes o assaltavam; em volta, os homens escarneciam; de cima Deus o cobria com um manto de trevas, símbolo da maldição; de dentro, prorrompia o amargo grito: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste”? De fato, Cristo desceu a esse inferno, o inferno do Calvário” (Hendriksen).

Logo, se Cristo se humilhou tanto, não é demais que os filipenses, e cada cristão se humilhe para com o seu irmão, pois sempre será em uma medida inferior daquilo que o próprio Cristo realizou.

Reflexões:

Há algo em sua vida que precise expressar um pouco dessa mesma humildade que Cristo teve, à serviço dos irmãos?

Você tem agido com um verdadeiro servo, ou tem se servido da vida de seus irmãos?

Como você acha que é visto pelos seus irmãos? Como alguém humilde e maduro, ou como alguém mais inseguro, que constantemente precisa se auto afirmar?

Sua presença no meio dos irmãos produz paz, fazendo com que os dons se desenvolvam em harmonia, ou tensão, por motivos de discordância, disputa, entre outras coisas?

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