Calculando o preço a pagar

Leitura: Lucas 14.28-29

Não é incomum muitas pessoas começarem uma jornada no evangelho e desistirem em meio ao caminho. Muitos podem ser os motivos para tal desistência. Talvez um deles seja o fato de muitas vezes tais pessoas não terem sido informadas de que havia um preço a pagar, um sacrifício a ser prestado nesta árdua tarefa em se tornar um discípulo de Cristo. Nesta mensagem, iremos tentar fazer um pouco deste cálculo do quanto custa seguir o Mestre.

1 – Há um preço a calcular na vida familiar.

Jesus disse: “Se alguém vier a mim, e não aborrecer a pai, mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs...” (Lc 14.26 a). “Aborrecer” pai e mãe denota uma ação de desagrado em alguém. Ou seja, Jesus não esconde o fato de que, é possível que quando alguém O siga, acabe atraindo o descontentamento de seus familiares. Até hoje, em muitas culturas, quando alguém se converte, passa a ser perseguido por sua própria família. E não é incomum ouvirmos testemunhos de pessoas que sofreram muito, seja pelo descontentamento dos pais ou do cônjuge quando se converte, pois é uma desonra para a família a pessoa mudar de religião. Há ainda muitos familiares que se aborrecem pelo fato de que agora a pessoa passa a ter também um compromisso com a comunidade de discípulos. Seus familiares querem mais lazer, passear os finais de semana, ficarem “de boa” em um domingo, irem ao estádio de futebol, ao aniversário da sobrinha, e coisas do tipo. Essas coisas não são ruins em si mesmas, entretanto, o discípulo sabe que tem agora um compromisso com uma comunidade de discípulos, que precisa exercer os seus dons, e trabalharem ativamente no ministério. Isso eventualmente pode causar descontentamento familiar. Pois o discípulo de Jesus precisa calcular esse preço. Sempre que a vontade de Jesus se chocar contra a vontade de alguém da nossa família, a primeira deve prevalecer.

2 – Há um preço a calcular com respeito a própria vida.

Jesus disse: “... e ainda também a própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14.26).

O discípulo terá que aborrecer a própria vida. Um modo de fazer esse cálculo e verificar em algumas áreas da nossa própria vida o cálculo de tal preço.
Há um custo a calcular na vida profissional. Agora o discípulo não trabalha apenas para si próprio, mas para a glória de Deus (1 Co 10.31).

Também na vida sentimental. Isso porque, evitará se deixar influenciar por pessoas que nada querem com o evangelho de Cristo, seja em amizades ou até mesmo em um envolvimento mais profundo.

Sua vida material também será afetada, pois buscará viver uma vida mais simples do que caso não fosse discípulo, e ajudará na promoção da causa do evangelho e da assistência aos necessitados.

Seu lazer também será afetado, pois não irá perder tempo com coisas que não edificam.

Essas e outras coisas na vida de um discípulo são boas e podem ser desfrutadas, mas tudo deve passar pelo crivo do discipulado.

3 – O candidato a discípulo deverá, enfim, colocar a cruz em seus cálculos.

Jesus disse: “E qualquer que não tomar a sua cruz não pode ser meu discípulo” (Lc 14.27).

A cruz naqueles tempos era um instrumento de morte utilizado pelos romanos, que implicava em grande humilhação pública. Não era um símbolo da religião cristã, nem mesmo era utilizado como enfeite. Só de pensar em uma cruz, naqueles tempos, uma pessoa certamente sentiria calafrios. Pois é justamente esse símbolo que Jesus evoca para dizer o que se deve fazer para segui-lo.

Cruz não é o símbolo das dificuldades que alguém carrega na sua vida. Não é incomum ouvir alguém dizer: “ah, esse meu marido é minha cruz”, ou “esse meu patrão é a cruz que eu tenho que carregar”, ou uma enfermidade, etc. A cruz não se refere às dificuldades das quais todas as pessoas estão sujeitas no dia a dia. Não. Cruz é um estilo de vida livremente assumindo por quem deseja se tornar discípulo.

Há alguns significados no que se refere a tomar a sua cruz, e podemos ver isso em um texto de Paulo: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo esta crucificado para mim, e eu para o mundo” (Gálatas 6.14).

Ou seja, cruz é o lugar onde eu me crucifico. Crucifico meu ego, minhas vontades ilícitas, minhas concupiscências. Ali são crucificas minha injusta ira, minhas cobiças, meus maus pensamentos. Ali, o velho homem é crucificado. E também é o lugar onde crucifico o mundo, com seus falsos valores, sua soberba, sua sede de poder, sua cultura de morte. E isso pode custar ao discípulo a própria vida, como ocorreu com o próprio Jesus, Pedro, André, Tiago, os demais apóstolos, e tantos outros na história do cristianismo.

Enfim, não sei se foi possível expor aqui todo o cálculo que alguém deverá fazer para buscar se tornar um discípulo. De qualquer modo, precisamos nos perguntar se realmente estamos dispostos a calcular o quanto custa seguir o Mestre. E precismos também expor este fato às pessoas, para que elas não se sintam enganadas pela nossa pregação.

Talvez alguém se pergunte: será que vale a pena então seguir a Jesus? Ora, você só considerará que vale a pena se de fato entender que Jesus é digno!
Se você entender que ele é digno, tudo valerá a pena. Sua renúncia, seu sacrifício, seu sofrimento. Isso porque Ele mesmo nos deixou exemplo para ser seguido, deixando sua glória, para morrer por cada um de nós (Fil 2.5-8). Se você realmente crer, nisso, certamente valerá a pena! 

Deixo aqui uma última palavra de nosso Senhor:


"Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba, já no presente século o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições, e no mundo porvir, a vida eterna" (Mc 10.29).

Deus abençoe!

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